Tuesday, September 18, 2012

Muita delicadeza em cada grão de beleza. Muita beleza em cada olhar tímido que sempre me fazia ter vontade de abraçá-la. Muita vida em cada gota de tinta das tatuagens que eu adorava contornar com os dedos. E voltar aos grãos, com um dedo em cada um, sem nenhuma pressa ligando os pontos por todo o corpo, imaginando se existia pele mais macia que aquela. Pressa é tudo que eu menos tinha nesses momentos. Queria arrastá-los, enquanto eles fugiam. Pareciam minutos, mas eram noites inteiras e muitas vezes o sol chegava e os olhos ainda estavam abertos, naquele diálogo silencioso em que o desejo ainda existia calmo para, alguns instantes e lençóis bagunçados depois, se manifestar com furor, mas ainda assim sem perder a delicadeza. Ela era daquele tipo que consegue te dizer foda-se e se manter apaixonantemente delicada. E você sabe, né... não demorou muito e eu queria mais. Eu sempre quero mais. Posso ver o iminente perigo de dar merda como quem se entorpece com química, mas ainda assim quero mais e, modéstia à parte, na maioria das vezes, tenho. 
Queria fotografar cada grão, cada olhar. E tinha que ser com muito desfoque, tipo abertura 1.2, não só pela estética mas porque era assim que eu me sentia perto dela, nitidamente só via os grãos, o jeito de olhar, os belos e grandes olhos, a timidez encantadoramente charmosa, a baixa estatura... Era covardia demais comigo, não tinha como eu não querer mais! Assim como não tinha como, mais cedo ou mais tarde, não dar merda.