vertigem
“Antes a misantropia que a auto-piedade”. Foi seu primeiro pensamento ao sair do local de realização do mal sucedido exame acadêmico. Era uma noite atípica em sua cidade. O clima, quase sempre insuportavelmente quente, agora lhe impunha uma chuva torrencial e um céu de estrelas escondidas atrás de nuvens densas. Com seu corpo ele rasgava o vento frio naquela avenida se inúmeros automóveis e raros pés. A música no headphone era a trilha perfeita para o turbilhão de sensações que explodiam dentro dele: acordes e urros os mais violentos possíveis eram cuspidos nos seus tímpanos sem dar espaço a possíveis sentimentalismos. Estava no sexto período e a incerteza lhe parecia ter sido adicionada à grade de matérias nas quais ele precisava ser aprovado. Sua paciência se tornava então tão abundante quanto o seu tempo, o algoz maior.
Cerca de uma semana atrás Sara tinha lhe tomado a gota de energia que lhe sobrava após uma terça-feira de muita fadiga e nenhuma dança. Sua inflamada vontade contrastava a cada dia mais com o já característico medo que ela carregava. Ele odiava tanta covardia, mas chegava a compreender a sua (?) escolha. Não tinha muito a oferecer a Sara. Presenteava a ela apenas com suas desilusões, que lhe tornavam cada dia mais vivo e áspero, e um sentimento que nada tinha de suave e muito tinha de pureza e tornados. Ele sabia o quanto aquilo poderia lhe custar. Durante todo o tempo lembrava-se que mesmo não estando à venda, o que sentia não era e jamais seria barato. Mas talvez isso já não fosse o bastante. Ele não conseguia pôr em prática as ‘soluções’ para as suas neuroses. O que dirá receitar remédios para as dela.
O emagrecimento dos últimos meses não havia conseguido roubar a imensa beleza que brilhava no corpo de Sara aos olhos dele. Descobria e se apaixonava a cada dia mais pelos seus detalhes que se revelavam tímida e vagarosamente, como o sinal que se deixou perceber no pescoço quando ela ajeitava os cabelos em uma das noites em que, juntos, não dormiram. Amava vê-la com a aparência desleixada, vestida com roupas simples, maquiagem borrada
Cerca de uma semana atrás Sara tinha lhe tomado a gota de energia que lhe sobrava após uma terça-feira de muita fadiga e nenhuma dança. Sua inflamada vontade contrastava a cada dia mais com o já característico medo que ela carregava. Ele odiava tanta covardia, mas chegava a compreender a sua (?) escolha. Não tinha muito a oferecer a Sara. Presenteava a ela apenas com suas desilusões, que lhe tornavam cada dia mais vivo e áspero, e um sentimento que nada tinha de suave e muito tinha de pureza e tornados. Ele sabia o quanto aquilo poderia lhe custar. Durante todo o tempo lembrava-se que mesmo não estando à venda, o que sentia não era e jamais seria barato. Mas talvez isso já não fosse o bastante. Ele não conseguia pôr em prática as ‘soluções’ para as suas neuroses. O que dirá receitar remédios para as dela.
O emagrecimento dos últimos meses não havia conseguido roubar a imensa beleza que brilhava no corpo de Sara aos olhos dele. Descobria e se apaixonava a cada dia mais pelos seus detalhes que se revelavam tímida e vagarosamente, como o sinal que se deixou perceber no pescoço quando ela ajeitava os cabelos em uma das noites em que, juntos, não dormiram. Amava vê-la com a aparência desleixada, vestida com roupas simples, maquiagem borrada
(continua...(talvez))
