planos à esquerda
Buscando cada poro da existência que se possa entupi-lo com um pouco mais de vida. Vencendo a falta de ânimo como quando a mente borbulha de idéias no caminho de volta pra casa mas a euforia não vence a porta e se mostra incapaz de mover as mãos pra buscarem a caneta e o papel. E quantas palavras se perderam, ficaram apenas para os pensamentos que lhes deram origem, sem ultrapassar a mente, muito menos os lábios. Divagações que poderiam ter gerado prazerosos escritos mas que foram vencidas por inexplicável desânimo. Inexplicável como o receio de dizer o que o coração já não suporta guardar somente pra si. Como sentimento de nome que ainda me é desconhecido de quando se quer abraçar a mãe, sabendo que ela amaria isso mas simplesmente não se consegue. Por mais intensas que sejam, as vontades as vezes se mostram incapazes.
Nada se move. Silêncio. Sem surpresas. O medo acovarda, o rancor caleja, a angústia derruba.
Muda o ano, sente o susto de como o tempo é impiedoso e os bons momentos são fugazes. Se enxerga em mais um final de domingo, só e ensimesmado, com a mente inquieta tentando achar um outro modo de levar seus dias, sem precisar dedicar mais de dez horas destes à apenas remuneração por atividades que lhe são auto-improdutivas, que de enriquecimento interior só trazem os testes diários que faz com a própria paciência. Aprendendo a lidar com os demônios que o cercam e que estão dentro de si, sempre empurrando seu corpo pra fora do prédio cinza em busca do peculiar azul que o céu ostenta. Pensando em não mais se frustrar com a indiferença dos ouvidos e olhos alheios para com os tesouros que tenta compartilhar. O sentido nunca será o mesmo pra ninguém. Esse verso, nota, página, manobra, estrofe, voz ou coisa que o valha tem sua forma de tocar a cada um. Ele sabe o quanto vale a pena vencer por 3 minutos mais o sono algoz em troca de ganhar mais essa página para guardar em sua falha memória ou até mesmo aplicá-la em seus passos. Ele e, talvez, apenas ele.

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