Tudo caminhava para o encerramento comum de mais uma bosta de dia sem graça. O trabalho durante o dia o havia deixado cansado demais para deixar espaço para alguma surpresa noturna numa quarta-feira. Ao longo dos vários congestionamentos até sua casa, observava pela janela as paisagens feias, as pessoas sempre apressadas e aparentemente perdidas, todas com suas dores e prazeres, as vezes não percebidos. Sentia uma hostil vontade de pôr fogo em tudo, de berrar que tava tudo errado e parecia que ninguém nunca ia se dar conta. Lembrou da bela noite que passara na véspera e pensava como era assustadora e encantadora ao mesmo tempo essa capacidade que tinha de ir do inferno às nuvens – e vice-versa – de um dia pro outro, de uma tarde para a noite que a seguiria. Nas noites poderia encontrar desde festas e grandes encontros, a coisas simples e imperceptíveis aos sentidos alheios como uma música ou uma sessão como não fazia há tempos. E aí estava o encontro que mais uma vez salvaria o seu dia do inferno onde queimam os padronizados e satisfeitos. O corpo pedia descanso, talvez algumas horas em frente a uma tela de computador, antes de ser vencido pelo sono. Sua mente inquieta e sua Vontade pediam pelo conflito do vento contra o corpo suado, das rodas contra o concreto, dos tênis sujos contra as faces ásperas. Seguiu sua imperatriz e enquanto se deixava levar pelo prazer de atender a um desejo simples, sentia os regozijos lhe invadirem a cada tentativa, a cada queda, a cada acerto. E sorria com um orgulhoso desdém de tudo que naquele dia lhe havia feito franzir a testa, gritar por dentro, e que agora se mostrava tão insignificante diante da grandeza do prazer que um simples lazer de maluco pode lhe trazer. Ali, confirmou mais uma vez: os carrascos não dançam, dormem demais, são sempre velhos demais pra compreender as formas de um coração jovem se preencher e estão sempre tão preocupados em fiscalizar os passos alheios que não percebem a própria vida passar.
Friday, September 15, 2006
Tudo caminhava para o encerramento comum de mais uma bosta de dia sem graça. O trabalho durante o dia o havia deixado cansado demais para deixar espaço para alguma surpresa noturna numa quarta-feira. Ao longo dos vários congestionamentos até sua casa, observava pela janela as paisagens feias, as pessoas sempre apressadas e aparentemente perdidas, todas com suas dores e prazeres, as vezes não percebidos. Sentia uma hostil vontade de pôr fogo em tudo, de berrar que tava tudo errado e parecia que ninguém nunca ia se dar conta. Lembrou da bela noite que passara na véspera e pensava como era assustadora e encantadora ao mesmo tempo essa capacidade que tinha de ir do inferno às nuvens – e vice-versa – de um dia pro outro, de uma tarde para a noite que a seguiria. Nas noites poderia encontrar desde festas e grandes encontros, a coisas simples e imperceptíveis aos sentidos alheios como uma música ou uma sessão como não fazia há tempos. E aí estava o encontro que mais uma vez salvaria o seu dia do inferno onde queimam os padronizados e satisfeitos. O corpo pedia descanso, talvez algumas horas em frente a uma tela de computador, antes de ser vencido pelo sono. Sua mente inquieta e sua Vontade pediam pelo conflito do vento contra o corpo suado, das rodas contra o concreto, dos tênis sujos contra as faces ásperas. Seguiu sua imperatriz e enquanto se deixava levar pelo prazer de atender a um desejo simples, sentia os regozijos lhe invadirem a cada tentativa, a cada queda, a cada acerto. E sorria com um orgulhoso desdém de tudo que naquele dia lhe havia feito franzir a testa, gritar por dentro, e que agora se mostrava tão insignificante diante da grandeza do prazer que um simples lazer de maluco pode lhe trazer. Ali, confirmou mais uma vez: os carrascos não dançam, dormem demais, são sempre velhos demais pra compreender as formas de um coração jovem se preencher e estão sempre tão preocupados em fiscalizar os passos alheios que não percebem a própria vida passar.

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