Thursday, November 02, 2006

pouca coisa: um skate e uma estrada


A necessidade de viajar vem se mostrando mais forte a cada dia. Dormindo 5hs por noite, tendo os fins de semana cada vez mais apertados entre o mundo de coisas que se deve fazer e o mundo que se deseja, acumulando algumas dores de coluna e umas doses diárias de indignação. Não, passa longe de minha vontade me refugiar em uma fazenda ou coisa do tipo e filosofar em contato com a natureza. O caos já está por demais inserido em mim para que isso me fosse fonte de prazer. O desejo de estradas se faz pela possibilidade de novos rostos e paisagens a serem descobertas junto a elas. Firmar ou fazer amizades e, é claro, retocar ou conhecer novos belos corpos.
Eu quero os bancos de espera das rodoviárias ou aeroportos. A tensão de ter que chegar no horário certo para não perder o embarque. A satisfação de encontrar amigos e viajar em assentos próximos, tendo prazerosas conversas intervaladas por prazerosos cochilos. Acordar, trocar o disco no discman, olhar para o lado e se admirar com os belos vales, montanhas e andarilhos. Lutar um pouco mais contra o sono em troca de poder capturar através de lentes sobrepostas a chegada do astro-rei a esta estrada entre duas cidades que você não sabe os nomes. Comemorar e comentar com o parceiro do lado ao ver duas belas garotas embarcarem no meio do caminho, mesmo elas sentando distantes e parecerem não ter sequer te percebido. Dormir novamente e ser desperto por uma criança chorando no banco da frente. Se informar sobre onde está e se alegrar por saber que apenas 20 ou 30 minutos te separam do seu destino.
Ter nos sorrisos e abraços que explodem te recebendo, a recompensa por qualquer gasto ou desgaste dispensado para estar ali. Ou mesmo perceber nos rostos e paisagens ainda estranhos a renovação de suas vontades, do ‘nitimur in vetitum’ constante. Lembrar de Kerouac, de um carnaval passado, invadir novas vidas e roubar mais momentos vividos pra eternidade de sua memória. Porque isso ninguém poderá te roubar e as estradas podem te dar: algo pra lembrar.


2 Comments:

Blogger Juliane Vieira said...

Seu Bucolismo me dar nauseas, eu prefiro o caos diário, pessoas no corre corre como trilha sonora imaginando um grind ultra rápido, só imaginando pq saí de dicman na rua é perigo, pois podem te roubar!


Dudu!

6:25 PM  
Blogger Marcelo Fonseca said...

O homem se faz no seu meio...nem sempre não é?
Tem oras que é melhor estar fora para se perceber "gente" e "vivo" ainda, que na negação de nosso dia a dia. A inversão de mundo, o despir-se do dia a dia, talvez seja o único resquício de vida real que temos de fato.

abraço
obrigado pelo post.

Marcelo F.

3:30 AM  

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