segundo ato
Eu não me conformo com as paisagens presas no plano de fundo das telas de computador. Com o hit do momento estourando no seu dial. Com o top de best-sellers da Veja. Com os amores tão fáceis quanto falsos, entupidos de declarações que jamais ultrapassam garganta a dentro. Com as ordens terceirizadas deste bando de imbecis que reclamam tanto e, na primeira oportunidade, fazem a merda da mesma forma. Bando de imbecis! Tão incompetentes e arrogantes quanto os chefes que dizem odiar. Contentes pela conquista de uma média posição na burrice que é toda hierarquia. Contentes com os ‘hobbies’ de fim de semana.
Sou coberto de rancores e cicatrizes. Que poderiam assustar os mais ingênuos. Mas ainda assim, sempre consigo te decepcionar toda vez que sorrio sozinho, como um louco. É minha mente que frequentemente se despede do meu corpo e me faz ver a insignificância de tudo o que tenta roubar meus dias. Revela-se a mim a simples grandeza do que você não consegue sequer perceber. E eu só lamento. “Essa é sua vida, e ela vai acabando a cada minuto”, algumas páginas e milhares de dias me ensinaram. E toda vez que saio de um prédio luxuoso, frio e feio, olho para cima. E o louco sorri sozinho novamente. Alguns minutos mais que cinco horas da tarde e o céu se faz um verdadeiro um presente pra quem não viu nada muito além de beges e cinzas durante a maior parte do dia: rosa, azul e amarelo fazem uma guerra diária até serem vencidos pela penumbra.
E isso pode me tocar. Posso me emocionar ao comentar sobre um livro ou uma música com alguém. Posso ter uma crise de risos ao falar besteiras com amigos, no fim de um dia de rotina chata e cansativa. Posso sentir minha face queimando incendiada por acordes e gritos, que espancam meus tímpanos e ferem minhas cordas vocais, mas que me dão um alívio que nenhum terapeuta conseguiria alcançar - “suja a roupa, mas lava a alma”. E posso ser muita coisa, mas jamais tão ingênuo a ponto de achar que um mundo império do superficial viesse a compreender algo tão intenso. Do ostracismo assalto mentes, roubo lugares em vidas, peço licença por alguns instantes para não ter que fugir de vez.
Mas não seja covarde a ponto de me pedir pra ter razão!
Sou coberto de rancores e cicatrizes. Que poderiam assustar os mais ingênuos. Mas ainda assim, sempre consigo te decepcionar toda vez que sorrio sozinho, como um louco. É minha mente que frequentemente se despede do meu corpo e me faz ver a insignificância de tudo o que tenta roubar meus dias. Revela-se a mim a simples grandeza do que você não consegue sequer perceber. E eu só lamento. “Essa é sua vida, e ela vai acabando a cada minuto”, algumas páginas e milhares de dias me ensinaram. E toda vez que saio de um prédio luxuoso, frio e feio, olho para cima. E o louco sorri sozinho novamente. Alguns minutos mais que cinco horas da tarde e o céu se faz um verdadeiro um presente pra quem não viu nada muito além de beges e cinzas durante a maior parte do dia: rosa, azul e amarelo fazem uma guerra diária até serem vencidos pela penumbra.
E isso pode me tocar. Posso me emocionar ao comentar sobre um livro ou uma música com alguém. Posso ter uma crise de risos ao falar besteiras com amigos, no fim de um dia de rotina chata e cansativa. Posso sentir minha face queimando incendiada por acordes e gritos, que espancam meus tímpanos e ferem minhas cordas vocais, mas que me dão um alívio que nenhum terapeuta conseguiria alcançar - “suja a roupa, mas lava a alma”. E posso ser muita coisa, mas jamais tão ingênuo a ponto de achar que um mundo império do superficial viesse a compreender algo tão intenso. Do ostracismo assalto mentes, roubo lugares em vidas, peço licença por alguns instantes para não ter que fugir de vez.
Mas não seja covarde a ponto de me pedir pra ter razão!

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